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Porto Alegre, 7/1/2009    00:24:01
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Tecnologia

Até que o couro se torne o produto nobre que conhecemos, em forma de calçados, carteiras, roupas e acessórios, ele passa por uma série de tratamentos industriais. O processo é bastante complexo e , de certa forma, considerado uma arte pelos profissionais do setor.

Aqui descrevemos algumas das etapas pelas quais passam nossos couros até atingir o estágio de produto acabado:

1) Esfola e conservação: significa a retirada do couro do animal, feita pelos frigoríficos. Após a esfola, o couro normalmente é salgado com sal grosso industrial para que não apodreça. Essa salga poderá conservar o couro por mais de 1 ano em perfeitas condições. Nessa etapa o curtume compra o couro para a industrialização.

2) Curtimento: É um processo químico que visa tornar a pele imputrescível, retirando todo seu pêlo e começando a dar as primeiras características do couro final. É efetuado em tambores chamados "fulões" , em um processo que pode durar até 3 dias. Nessa etapa o couro ainda está molhado.



3) Enxugamento: consiste em retirar o excesso de água do couro curtido e prepará-lo para o próximo processo de divisão. érealizado por uma máquina chamada Enxugadeira.




4) Divisão: consiste literalmente em dividir o couro curtido e enxugado na sua secção horizontal, separando-o em duas camadas chamadas "Flôr" (camada superior) e "Raspa" (camada inferior). A Flôr é o produto mais nobre, conhecido tipicamente como o nome de "vaqueta", com o qual se fabrica sapatos, roupas, estofados e acessórios . A Raspa é o que chamamos de camurça ou camurção, também utilizada para confecção de calçados e acessórios.



5) Rebaixamento: é realizado pela máquina de Rebaixar, e consiste em "esmerilhar" a parte posterior da Flôr ou Raspa, a fim de ajustá-los à espessura desejada para o artigo final. Couros para vestuário normalmente são mais finos (0,7 mm) , enquanto que couros para calçado podem chegar até 2,0 mm.




6) Recurtimento: Após ajustada a espessura do couro, estes voltam para os “fulões” a fim de receber novo tratamento químico o qual irá dar as características finais desejadas no artigo. Nessa fase se faz o tingimento do couro na cor desejada, bem como a adição de óleos a fim de lubrificar as fibras e amaciar os couros. É também um processo “molhado” , com uso intenso de água.




7) Secagem: Após o recurtimento, o couro segue para a secagem a qual difere para cada tipo de artigo final. Normalmente os couros são “estirados” em uma máquina especial de rolos a fim de retirar o excesso de água para então prosseguir para a secagem propriamente dita. Esta pode ser feita ao ar livre (chamada “natural”) ou usar máquinas, tal como o secado à Vácuo, onde quase toda umidade do couro é extraída mediante modernas tecnologias de secagem com utilização de chapas quentes à vácuo.


8) Operações de Pré-Acabamento: após a secagem, o couro possuí uma umidade em torno de 12-14%, sendo que deve ser recondicionado novamente a uma umidade entre 18-22% a fim de que possa ser amaciado em uma máquina especial chamada Molissa. Após o amaciamento os couros passam pela máquina “Togling”, a qual consiste de placas com grampos onde operadores esticam manualmente as peles e as prendem com grampos a fim de expandi-las a sua metragem máxima.


9) Lixamento: A fim de uniformizar a superfície de couros que contenham defeitos originários dos animais (riscos, marcas, carrapatos,etc.) pode-se aplicar um lixamento sobre a superfície dos mesmos. Essa operação é realizada com máquinas “Lixadeiras”, de alta precisão que uniformizam a pele através do efeito abrasivo de lixas especiais.



10) Acabamento: é o conjunto de operações de pintura onde determinamos a cor desejada, tato e aparência final dos couros em produção. É realizado por um conjunto de máquinas, destacando-se as cabines de pintura e prensas hidráulicas com aplicação de estampas que tentam reproduzir desenhos dos poros originais das peles.
foto: Master Equipamentos

Após o acabamento final, os couros são medidos em metros quadrados e encaminhados as fábricas para serem transformados em sapatos, acessórios, vestuário e artigos de decoração e artesanato.

De forma resumida, tentamos mostrar as etapas pelas quais as peles se transformam em couros acabados. Por trás de cada etapa de produção existem inúmeras variáveis e processos tecnológicos envolvidos, transformando a industrialização das peles em uma arte reconhecida no mundo inteiro.

Para você ver a importância do setor de couro brasileiro, confira alguns dados abaixo:

Com o maior rebanho bovino comercial do mundo, estimado em cerca de 150 milhões de cabeças de gado, a perspectiva é de que no ano 2010 o rebanho brasileiro atinja cerca de 220 milhões de cabeças, com abate anual de 48 milhões. O setor coureiro brasileiro é constituído por cerca de 400 curtumes e 120 fornecedores de insumos químicos (indústrias e representantes estrangeiros), com uma forte concentração no Rio Grande do Sul e São Paulo.

Dos curtumes, 80% podem ser enquadrados como pequena empresa, empregando diretamente 60.000 pessoas. Este setor produz anualmente em torno de 30 milhões de peças faturando cerca de R$ 3,5 bilhões/ano (US$ 1.9 bi), exportando 50% de sua produção (volume físico), tendo aumentado suas exportações em 433% em valor no período de 1984 a 1998, quando exportou US$ 651 milhões.


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