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Tecnologia
Até que o couro se torne o
produto nobre que conhecemos, em forma de calçados, carteiras,
roupas e acessórios, ele passa por uma série de tratamentos
industriais. O processo é bastante complexo e , de certa
forma, considerado uma arte pelos profissionais do setor.
Aqui descrevemos algumas das etapas
pelas quais passam nossos couros até atingir o estágio
de produto acabado:
1)
Esfola e conservação: significa a retirada do couro
do animal, feita pelos frigoríficos. Após a esfola,
o couro normalmente é salgado com sal grosso industrial para
que não apodreça. Essa salga poderá conservar
o couro por mais de 1 ano em perfeitas condições.
Nessa etapa o curtume compra o couro para a industrialização.
2)
Curtimento: É um processo químico que visa tornar
a pele imputrescível, retirando todo seu pêlo e começando
a dar as primeiras características do couro final. É
efetuado em tambores chamados "fulões" , em um
processo que pode durar até 3 dias. Nessa etapa o couro ainda
está molhado.
3)
Enxugamento: consiste em retirar o excesso de água do couro
curtido e prepará-lo para o próximo processo de divisão.
érealizado por uma máquina chamada Enxugadeira.
4)
Divisão: consiste literalmente em dividir o couro curtido
e enxugado na sua secção horizontal, separando-o em
duas camadas chamadas "Flôr" (camada superior) e
"Raspa" (camada inferior). A Flôr é o produto
mais nobre, conhecido tipicamente como o nome de "vaqueta",
com o qual se fabrica sapatos, roupas, estofados e acessórios
. A Raspa é o que chamamos de camurça ou camurção,
também utilizada para confecção de calçados
e acessórios.
5)
Rebaixamento: é realizado pela máquina de Rebaixar,
e consiste em "esmerilhar" a parte posterior da Flôr
ou Raspa, a fim de ajustá-los à espessura desejada
para o artigo final. Couros para vestuário normalmente são
mais finos (0,7 mm) , enquanto que couros para calçado podem
chegar até 2,0 mm.
6)
Recurtimento: Após ajustada a espessura do couro, estes voltam
para os “fulões” a fim de receber novo tratamento
químico o qual irá dar as características finais
desejadas no artigo. Nessa fase se faz o tingimento do couro na
cor desejada, bem como a adição de óleos a
fim de lubrificar as fibras e amaciar os couros. É também
um processo “molhado” , com uso intenso de água.
7)
Secagem: Após o recurtimento, o couro segue para a secagem
a qual difere para cada tipo de artigo final. Normalmente os couros
são “estirados” em uma máquina especial
de rolos a fim de retirar o excesso de água para então
prosseguir para a secagem propriamente dita. Esta pode ser feita
ao ar livre (chamada “natural”) ou usar máquinas,
tal como o secado à Vácuo, onde quase toda umidade
do couro é extraída mediante modernas tecnologias
de secagem com utilização de chapas quentes à
vácuo.
8)
Operações de Pré-Acabamento: após a
secagem, o couro possuí uma umidade em torno de 12-14%, sendo
que deve ser recondicionado novamente a uma umidade entre 18-22%
a fim de que possa ser amaciado em uma máquina especial chamada
Molissa. Após o amaciamento os couros passam pela máquina
“Togling”, a qual consiste de placas com grampos onde
operadores esticam manualmente as peles e as prendem com grampos
a fim de expandi-las a sua metragem máxima.
9)
Lixamento: A fim de uniformizar a superfície de couros que
contenham defeitos originários dos animais (riscos, marcas,
carrapatos,etc.) pode-se aplicar um lixamento sobre a superfície
dos mesmos. Essa operação é realizada com máquinas
“Lixadeiras”, de alta precisão que uniformizam
a pele através do efeito abrasivo de lixas especiais.
10)
Acabamento: é o conjunto de operações de pintura
onde determinamos a cor desejada, tato e aparência final dos
couros em produção. É realizado por um conjunto
de máquinas, destacando-se as cabines de pintura e prensas
hidráulicas com aplicação de estampas que tentam
reproduzir desenhos dos poros originais das peles.
foto: Master Equipamentos
Após o acabamento final, os couros são medidos
em metros quadrados e encaminhados as fábricas para serem
transformados em sapatos, acessórios, vestuário
e artigos de decoração e artesanato.
De forma resumida, tentamos mostrar as etapas pelas quais as
peles se transformam em couros acabados. Por trás de cada
etapa de produção existem inúmeras variáveis
e processos tecnológicos envolvidos, transformando a industrialização
das peles em uma arte reconhecida no mundo inteiro.
Para você ver a importância do setor de couro brasileiro,
confira alguns dados abaixo:
Com o maior rebanho bovino comercial do mundo, estimado em cerca
de 150 milhões de cabeças de gado, a perspectiva
é de que no ano 2010 o rebanho brasileiro atinja cerca
de 220 milhões de cabeças, com abate anual de 48
milhões. O setor coureiro brasileiro é constituído
por cerca de 400 curtumes e 120 fornecedores de insumos químicos
(indústrias e representantes estrangeiros), com uma forte
concentração no Rio Grande do Sul e São Paulo.
Dos curtumes, 80% podem ser enquadrados como pequena empresa,
empregando diretamente 60.000 pessoas. Este setor produz anualmente
em torno de 30 milhões de peças faturando cerca
de R$ 3,5 bilhões/ano (US$ 1.9 bi), exportando 50% de sua
produção (volume físico), tendo aumentado
suas exportações em 433% em valor no período
de 1984 a 1998, quando exportou US$ 651 milhões.
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